no BlogSpot
Solis - 02Ago2014 14:19:00
Não há sobre a terra
amante como o meu:
inteiramente dedicado
estimula-me
aquece-me
envolve-me o corpo todo com centenas de braços
Sei, sempre, onde ele está
Sussurra-me palavras calorosas o dia inteiro
Diurna - ele se vai e eu me desfaço em água
mergulho a noite profundamente
como se eu não existisse
Ele me chama calmamente com dedos finos
suaves
sensuais
a cada manhã
e sua força faz cada átomo do meu corpo reagir
entra-me pela narina
pela boca
pelos olhos
e me inunda toda de esperma cósmico
exalo poeira estelar
expiro estrelas após o gozo matinal
pairo sobre a cidade ainda sob radiação solar
estou também, dispersa pelo mundo.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2014/08/solis.html
Ano passado recebi um convite muito especial: escrever um diário para ser publicado. Convite aceito sem pestanejar, e agora faltando alguns passos para o lançamento, eu é que convido os leitores deste blog a não perder o Diário das Estações!
O lançamento será em agosto, mas veja uma prévia com a apresentação das autoras no blog da organizadora do lançamento: Francy's Oliva
Lunna, você sempre me presenteia com palavras ou convites!
Estão todas de parabéns! Flores @>--
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2011/06/nos-escrevemos-diarios.html
O amor em teu peito se petrificou
não olha para trás
não se desfaz
mas não pulsa mais
não dizes mais certas palavrinhas
que eram os nossos mimos
não me chegam aos olhos
nada do que vai em teu pensamento
ainda falo de mim
e percebo que não te interessas
pareço um disco arranhado
no toca-discos em que
baixaste o volume
o amor deixou meu peito em carne viva
nossas carnes febris
que ficaram para trás
não se desfaz
e ainda pulsa.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2010/05/o-amor-em-teu-peito-se-petrificou.html
Do outro lado da rua
Uma casa abandonada
Do outro lado da vida o que haverá?
Morrer não deve ser diferente de fechar os olhos
e abrí-los para um cômodo qualquer abandonado
no qual, nós mesmos
poremos a mobília de sonhos, de amor ou de dor
como nos aprouver.
Minha casa da morte
tem uma estante de livros de poesias
uma ?long chaise?
e ?Soleil levant? de Monet
no lugar de uma janela.
Uma concha para ouvir o mar
uma velha foto de família
e memórias
que ora choram, ora riem.
A morte é só
mais uma casa abandonada
esperando.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2010/04/casa-da-morte.html
Ação gigantescaà Ana Maria DantasBeijei a boca da noite
e engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a Terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade
voaram para o Além.
Os animais caíram no abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
e fui descansar na primeira nuvem
que passava naquele dia
em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
por detrás do Universo.
(1º lugar no festivel Cearense de Poesias.)
* Mario Gomes é um poeta cearense, que infelizmente, hoje vive a perambular pelas ruas de Fortaleza devido à problemas mentais adquiridos durante uma vida de incompreensões e intolerância. Mário Gomes está com 62 anos.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/11/blogagem-coletiva-mario-gomes.html
Acordou, disse "Bom dia"
Não me chamou de "amor"
Tomou o café distraído
Prioridades se interpondo
à minha frente
Fiz-me de parede
para não atrapalhar
e meus olhos eram espelhos
molhados
Disse, por fim, "Adeus"
"não me espere para o jantar"
Pouco amor estava ali
entre os restos do café da manhã
que joguei no lixo.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/10/morte-do-amor-em-poucos-atos.html
Clausura - 16Jun2009 18:36:00
Sou um quarto fechado
com fotografias nas paredes
e espessas cortinas sobre os olhos
macio carpete de sofrimentos
para o andar descalço
Tranquei as portas deste corpo
Posso te ouvir bater
não me abro
Porque quero que me cerques
por todas as janelas e portas
impossíveis
Se conseguires entrar
ilumine os corredores
que tenho percorrido
tentando encontrar
a mim mesma
Deito na cama fria
das entranhas
e não durmo
Tua voz é o som da noite.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/06/clausura.html

Prêmio concedido pelo gracioso blog
AstroSideral de Achernar.
"El PREMIO SYMBELMINE (no me olvides): Fue creado el 27 de Noviembre de 2008 por Maeglin del blog "Patio de los Senescales" al cumplir su primer aniversario en la web. Con él se pretende agradecer a los blogs premiados su trabajo y esfuerzo. Los requisitos son:
1. Elegir 10 blogs o sitios de Internet que por su calidad, su afinidad o cualquier razón hayan conseguido establecer un vínculo que desees reforzar y premiar con un "no-me-olvides" y enlazarlos en el post escrito.
2. Escribir un post mostrando el premio, citar el nombre del blog o web que te lo regala y notificar a tus elegidos con un comentario.
3. Opcional: Exhibir el Premio en tu blog."
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/04/premio-symbelmine.html
Lusofonia - 19Mar2009 11:35:00
«Gosto de sentir minha língua roçar a língua de Luís de Camões»
Caetano Veloso
Palavras tuas, ou minhas.Por naus ou jangadas levadasDisseminam uma nova pátriaMenos tua menos minha, universal.Gramática perfeita para sentimentosLatinos, lusitanos ou africanos.A bacanal de palavras portuguesasAtravessa mares com apelo sensual.Em Agostinho da Silva a liçãoA crítica apaixonada de Gilberto FreyreSobre a cultura em si una e plural.Diversos sabores de uma mesma línguaComo correntes marítimas a ligar o mesmo marUne-nos a língua à Portugal.
Poema escrito especialmente para a revista
Nova Águia.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/03/lusofonia.html
Vou adiar meu encontro
Hoje com a poesia
Minha amiga inseparável
O mundo é hostil
Tenho de atender ao seu
Bruxuleante sinal
Para discutir coisas fúteis
E resolver assuntos que
Pra mim, não são importantes
Não demoro, prometo
Embora seja urgente
Quebra-cabeças da vida
Com bilhões de peças
Soltas, espalhadas no ar
Mas não posso desistir
Agora que estou só
Agora que cresci e estou só
À hora do cansaço
Voltarei para o aconchego
Das palavras doces
De meus poetas preferidos.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/03/encontro-com-poesia.html
Mar Amor - 02Mar2009 12:05:00
Saltei das pedras nas águas de Iracema
Nesse mergulho, amor, teu imenso abraço de mar me envolvia
Gota a gota o oceano vem transportando o teu desejo
Para num beijo marinho eu me banhar
E essa saudade vulcânica cria ilhas onde habitas
E paisagens longínquas que eu quero alcançar
E o que respiras sopra em meu rosto como brisa
Leve carícia que anseio
O cheiro teu que o vento trás
O som do teu riso num ruflar de asas
É a tua pele a fina areia em que eu me deito
São as pontas dos teus dedos que conduzem
As gotas salgadas que escorrem em minha pele
É noite e as luzes de Iracema não me impedem de ver
O céu de estrelas que tu anoiteces sobre mim.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/03/mar-amor.html
Lá fora os sons do carnaval
Calam a mais sombria tristeza
Pierrô e Colombina dançam
No salão entre serpentinas
A fantasia está na rua
E salta e brinca e sorri
As bocas se beijam
E bebem muita cerveja
Hoje os brincantes
Só querem te levar
Para o meio da festa
Fantasiado de alegria
E você neste quarto
Fingindo não ouvir
Que a canção toca
O seu coração
Você não se maquila
E nem sorri para o espelho
Nem pega na mão dos mascarados
Para dançar no salão
Não distribui beijos
Aos passantes bêbados
Nem canta o verso
Mais alto que o companheiro
É carnaval e você
Vai dormir pesadelos
Pois na sua avenida
Espectros desfilam
Assombram sua alegria
Que fugiu com Arlequim
E está num bloco qualquer
De um carnaval que não é seu.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/02/carnaval-de-2006.html
Gula
O meu olhar
te engole e te bebe
desde tua sombra
até o que respiras
Inveja
Invejam os astros dia a dia
o brilho estelar dos teus olhos
e o sorriso nacarado
que observo sem piscar
provocas os deuses
com o tecido nobre de tua pele morena
Avareza
Não te empresto a um olhar sequer
Estou te acumulando
em memórias
só para mim
Luxúria
tens-me
lasciva e devassa
líquida
a escorrer pelo teu corpo
em forma de língua
Soberba
Têm brilho argênteo
nossas umidades
e os pêlos
luzem mais
que mil sóis
Preguiça
Arrasta-me
para fora da cama
se não me quiseres
Leva-me embora
Mas leva-me nos braços
Ira
Odeio este amor
que me extravasa
rasgando-me a pele
como a um papel.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/02/os-sete-pecados-capitais-do-amor.html

Recebi este selo da querida Lunna Guedes do blog
Acqua, e como condição aqui mais 6 blogues que indico:
Aproveito para postar também o Meme que a Lunna me passou a respeito dos 7 pecados capitais. Dulcíssima, aqui vai o inconfessável! rsrsr
Eis os pecados capitais:Gula: comer além do necessário, excesso de comida e bebia.
Avareza: apego a bens materiais e dinheiro.
Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa.
Ira: raiva, ódio, rancor.
Soberba: falta de humildade.
Luxúria: apego aos prazeres carnais.
Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço.
As regras:- Citar em que situações você se enquadra em cada um dos pecados capitais.
- Publicar suas respostas no blog.
- Passar para 8 blogs.
- Avisar e Linkar os blogs escolhidos.
A confissão:Gula: Sou gulosa, como com gosto e ainda lambo os dedos... rsrs
Avareza: Não sou apegada a dinheiro de modo algum, não tenho dó, é feito para gastar e não para acumular. (Eu sei que preciso pensar no futuro, mas ninguém precisa ser um tio Patinhas rsrs). Agora, tenho ciúme demais dos meus livros! A ponto de não permitir uma estante na sala para ninguém ficar vendo e pedindo emprestado... rsrs
Inveja: Não sei o que é ter inveja, embora seja natural desejarmos o que achamos bom e bonito, mas sempre vi as coisas dos outros como dos outros. Costumo inventar o que eu quero para mim, gosto de ser original rsrs
Ira: Já senti raiva e guardei certas mágoas durante algum tempo, mas superei. Nesta altura da vida só quero me apegar ao que me faz bem.
Soberba: Pode não ser muito humilde dizer, mas eu sou humilde :)
Luxúria: pecados da carne, hum... sem moderação! mas com quem a gente ama não chega a ser pecado, não é? rsrs
Preguiça: Eu só tenho preguiça para fazer o que não gosto. Não gosto de passar roupa, logo, compro roupas que não precisam passar... e morro de preguiça mental para fazer cálculos de cabeça! sou apaixonada por uma calculadora rsrsrs
O convite:Repasso para meus amigos
Marcos Miorini,
Arnaldo Norton,
Jhon Abreu,
Vilemar Costa,
Bibi,
Simone Góes,
Annabel,
Sérgio Franck. Não é obrigatório responder ao convite, mas eu já estou curiosa para ler as respostas rsrsr
Beijinhos a todos @}--
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/02/selo-blog-aprovado-os-7-pecados.html

Recebi do meu querido colega e amigo, Marcos Miorinni do Blog
PorEntreLetras, o selo "Prêmio Dardos":
"o Prémio Dardos reconhece o valor que cada blogueiro emprega ao
transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que em suma
demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece
intacto entre as suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados
com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de
demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web.
Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve:
- Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos;
- Linkar o blog pelo qual recebeu;
- Exibir a distinta imagem."
Assim como meu caro amigo, aqui segue a lista dos 15 escolhidos:
- Academia dos Poetas Paraenses
- Astro Sideral
- Conversas Inúteis
- Cores em Tons de Cinza
- Crónicas da Peste
- Bar do Ossian
- Passos da Poesia
- Cultura Nordestina
- Goth Land & Lucifer's Kingdom
- Nostalgia Musical
- A Vida das Palavras
- Veneza de Brasileros
- Blog do Poeta do Seridó Ednaldo Luiz
- Sons de Sonetos
- Da Natureza dos Sonhos
Obrigada, Marcos!
E flores a todos @}--
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/02/premio-dardos-ii.html
A praia - 30Jan2009 20:24:00

Cidade quente e uma nuvem ou outra molha as folhas das árvores
Com suaves respingos que não chegam a ser chuva
A brisa do mar chega já esmorecida, quase imperceptível
As almas em ebulição, perdidas
Rastros de luta interna sob as sombras das árvores
Fortes vagas arrastam o corpo morto, pesadelo
Enquanto crustáceos devoram as sobras de sonhos na areia
A tarde está nublada e ameaça chover contradições
Amores que a tempestade de ontem despedaçou
E as palavras são folhas pisadas no chão
O vento numa carícia maliciosa revela o corpo sob o vestido
Árvore que não dá frutos, não alimenta, desatenta e desalenta
Mãos-raízes cravadas no chão num desejo
De deixar a vida escorrer para desaguar no mar
Gotas de suor na testa
A ventania levou a esperança para outro lugar
A praia ficou vazia de amor e de medo
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/01/praia.html

Para minha alegria, antes mesmo de embarcar, entre os meus e-mails estava este gracioso selo outorgado por Achernar Vindemiatrix do blogue
AstroSideral. Minha primeira postagem do ano será a eleição de mais 15 blogues merecedores deste belo Selo, que nas palavras castellanas de Achernar "se concede a aquellos blogs en cuyas páginas hayaos encontrado algo positivo, útil, beneficioso". Seguindo as regras anteriores, os eleitos devem usar a imagem do selo em seus blogues e indicar mais 15 blogues com respectivos links. A escolha é difícil, mas como tem que ser apenas 15, aqui está minha lista:
Gracias, Achernar!Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2009/01/blog-dourado.html
A praça - 20Dez2008 19:22:00

O sol da tarde ainda castigava a Praça do Ferreira e alimentava a agitação dos passantes. O entra-e-sai incessante nas lojas, a cantoria dos camelôs e a correria dos consumidores fazia o dia transcorrer rapidamente sob o olhar sonolento dos que passavam o dia inteiro sentados nos bancos da praça, observando. Este grupo de amigos chamavam a praça de escritório e se denominavam poetas.
Mas este dia não foi como os outros, com a agitação costumeira. Depois de uma tarde de conversas e versos improvisados, um baque surdo calou a tarde. Um dos poetas, que circulava entre as pessoas, tombou, morto no meio da praça. Imediatamente, um círculo se formou ao redor do corpo.
- Um poeta morreu! Um poeta morreu! Um verso atravessou-lhe o coração.
Com a chegada da ambulância, os curiosos deram espaço para que o poeta fosse removido e logo a cortina estrelada da noite desceu sobre a cidade. As fachadas das lojas e do cinema iluminaram-se. A vida era a mesma, a praça era a mesma, tudo continuou como se nada tivesse acontecido.
***
Pequena homenagem aos poetas anônimos da Praça do Ferreira, Fortaleza.
Fonte: https://versosbarbaros.blogspot.com/2008/12/praa.html