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A casa da Morte - 25Set2018 10:02:41

A casa da morte

Do outro lado da rua
Uma casa abandonada
Do outro lado da vida o que haverá?
Morrer não deve ser diferente de fechar os olhos
e abrí-los para um cômodo qualquer abandonado
no qual, nós mesmos
poremos a mobília de sonhos, de amor ou de dor
como nos aprouver.
Minha casa da morte
tem uma estante de livros de poesias
uma ?long chaise?
e ?Soleil levant? de Monet
no lugar de uma janela.
Uma concha para ouvir o mar
uma velha foto de família
e memórias
que ora choram, ora riem.
A morte é só
mais uma casa abandonada
esperando.

Adriana Costa

Poema publicado na revista Cultural Novitas nº 3.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=268980

Poema do amor impetuoso - 25Set2018 10:02:41

Que eu beba a sua praticidade
Comerei cada atitude sua sensata
Posso respirar a tua objetividade

Adentrar devagar e dócil
no seu pomar de virtudes
E colher as maduras frutas sãs

Mas não poderás beber da minha
audácia ou da minha coragem
Nem comerás a insensatez

do meu coração apaixonado
No meu jardim chove
diariamente e as flores

desabrocham lascivas nas
mãos ao sabor do vento
luxurioso da paixão voraz

Na minha casa em ruínas
não habitarás porque
em minha cama desfeita

Só deita quem já chorou
sofreu e se embriagou
na impetuosa taça do amor.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=60753

Desalento - 25Set2018 10:02:41

As cachoeiras
São pulsos cortados da natureza
É o seu desespero
Em movimento

O verso que não cala
É um pulso cortado do poema.

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=56354

Solidão - 25Set2018 10:02:41

Dói-me a minha solidão
Você tem a sua
Ele tem a dele
Mas eu não posso
Sentir a sua solidão
Nem a solidão de qualquer outro
Só sei que me sinto só
Pequena não, grande
Solidão de ser um gigante
Porque aos meus pés
Ninguém olha para mim
Aos meus pés ninguém me vê.

Imagem: ladysbugwhispers.blogs.sapo.pt

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=47105

Pela manhã - 25Set2018 10:02:41

Acordei sem abrir os olhos
O sol batia insistentemente na janela
Meu corpo permaneceu imóvel
Só o pensamento, agitado, saiu do quarto
E foi procurar o que tinha de mais precioso:
a sua lembrança
na esperança
de matar a saudade
Mas a distância anuvia sua imagem
Então o pensamento volta cabisbaixo
E ao voltar para a cama
Verte lágrimas pelos meus olhos.
Imagem: moongirl.blogs.sapo.pt

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=44525

Anoitece - 25Set2018 10:02:41

talvez eu queira agora
escrever versos sobre a tarde
que se despede em raios solares
talvez sobre o crepúsculo eu queira falar
sobre a noite que chega densa
e tudo cobre com seu negrume
e tudo fica sob o seu peso
de sono
e solidão.
Imagem: http://farm1.static.flickr.com

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43678

Diferenças - 25Set2018 10:02:41

Faisão dourado
da longínqua Ásia da minha imaginação
Pousastes nas raízes emersas
do meu mangue
Sou amazônica
Sob minhas raízes há lama
mas há água cristalina e vitórias-régias

Observa-me
Sou verde
Mata verde sob a tarde chuvosa
Verde
Mata verde sob o sol escaldante
do amor.

Imagem: www.photografos.com.br

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43322

Plenilúnio - 25Set2018 10:02:41

Ela despontou cedo
Gorda e branca no meu céu
E seu sorriso redondo
Produziu imenso clarão
Cobriu a nudez do meu pensamento
Com suas vestes brancas.
Imagem: singular.blogs.sapo.pt

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=43138

Autora

Foto-A3085_1.jpg

Adriana Costa

Brasília - Brasil

32 anos

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